HOMENAGEM | Artur Rosa (1926-2020)

A Secção Regional do Sul da Ordem dos Arquitectos apresenta sentidas condolências à família, amigos e colegas do arquitecto e escultor Artur Rosa.


Faleceu esta terça-feira, dia 24 de Março, aos 94 anos, no Hospital Egas Moniz em Lisboa, vítima de pneumonia.

A notícia foi anunciada pelo atelier Helena Almeida, artista plástica com que era casado e com quem trabalhou e que fotografou.


Arquitecto e escultor, Artur Rosa nasceu em Lisboa em 6 de Março de 1926. Ao longo de mais de 50 anos registou sistematicamente em fotografia a vida artística da artista plástica Helena Almeida com que esteve casado.

Formou-se em arquitectura pela Escola Superior de Belas Artes de Lisboa, Artur Rosa foi distinguido no ano passado de 2019 com o título de Membro Honorário da Ordem dos Arquitectos.


Da sua obra arquitectónica destaca-se a estação de metro do Terreiro do Paço, em Lisboa, que lhe mereceu o Prémio Valmor em 2007.


Durante mais de 50 anos, Artur Rosa retratou o trabalho da mulher, Helena Almeida, uma das mais internacionais artistas portuguesas.

Quando, em 2013, o antigo espaço BES Arte & Finança, em Lisboa, realizou uma das maiores exposições com a obra de Helena Almeida, a artista falou à Lusa sobre o seu processo criativo e a presença do marido no mesmo. Com obras que recuavam até 1977, e um conjunto de inéditos em Portugal, a exposição revelava, por exemplo, Andar, abraçar, um vídeo inédito de 2010, de 19 minutos, que mostrava duas pernas, uma de homem, outra de mulher, unidas por um cabo preto e que tentavam, em conjunto, percorrer o atelier, continuamente, de um lado ao outro, até o chão negro ficar cheio de riscos brancos.


Na altura, Helena Almeida dizia à Lusa que "iria estranhar se fosse outra pessoa": Artur Rosa era a única pessoa, além da artista, a participar nas suas composições. “Estranharia se fosse alguém com quem não tivesse intimidade. Para mim não é importante que seja um grande fotógrafo. Interessa-me que fotografe aquilo que eu quero. É o fundamental”, salientou. “O Artur percebia bem o que eu queria, e estava sempre disponível. Quando éramos novos ele tinha muito trabalho de arquitectura, mas mesmo assim vinha para o atelier e trabalhávamos”, recordou ainda Helena Almeida.


Artur Rosa, por seu turno, também presente na visita à exposição, disse na altura que nunca teve de fazer nada mais do que aquilo que Helena pedia: “Fui sempre conduzido”.


Em 1951 começou a dedicar-se à escultura, sendo da sua autoria uma obra composta por um conjunto de cubos metálicos vermelhos, implantada na avenida Conde Valbom, em Lisboa, perto da Fundação Calouste Gulbenkian, em cuja colecção Artur Rosa está também presente. Além de ter participado em várias exposições colectivas, Artur Rosa realizou também exposições individuais em galerias e criou cenários e figurinos para o Ballet Gulbenkian e para o Teatro Experimental de Cascais.


Fonte: Lusa/Público


Foto por: Helena Almeida.