DISCURSO | Cerimónia Boas Vindas aos Novos Membros OASRS

CERIMÓNIA BOAS VINDAS AOS NOVOS MEMBROS OASRS

Sede da OASRS, 8 de fevereiro 2020


Ex.mo Sr Secretário do Conselho Directivo Nacional, Arq Miguel Varela Gomes,

Ex.ma Sra Presidente da Secção Regional Norte, Arq Claudia Costa Santos,

Ilustres convidados Caros Colegas e amigos,


Hoje, faz precisamente 3 anos que tomamos posse.

Hoje,faz precisamente 3 anos que fiz o meu primeiro discurso como Presidente da SRS da Ordem dos Arquitectos.

Por isso, hoje, esta cerimónia tem um significado muito especial para mim, pois nela coincidem dois eventos significativos. Dois eventos que revelam a vida da Ordem, e o sentido das coisas, e do tempo. A entrada de novos membros converge com o término de funções deste mandato. Hoje, dia 8 de fevereiro, nesta cerimónia, juntam-se à Ordem novos membros, Arquitetos de pleno direito.


Abre-se um ciclo, O vosso! E fecha-se outro, O nosso. Porque cada mandato é um ciclo.

Como presidente cessante do actual Conselho Directivo Regional do Sul da Ordem dos Arquitectos sinto uma profunda alegria por fechar, assim, aqui, e hoje, o nosso mandato, com “chave de ouro”.

Presidir a esta cerimónia, e ter nas boas vindas aos novos membros, o meu derradeiro acto oficial após três anos de serviço e de missão, é, sinceramente, algo que me dá uma profunda satisfação. Pelo acto em si, e pelo seu significado. Pelo acto em si, porque trata-se de acolher novos colegas a esta profissão que escolhi como minha, e que me define enquanto pessoa e profissional. Sou orgulhosamente Arquitecta. Por isso, o meu contentamento por ver em cada um de Vós um pouco de mim, do que sou, e do que me define. Depois, o significado desta cerimónia, naquilo que representa de sucessão e de continuidade. Novas pessoas, novos rostos, novos profissionais, novos desafios e renovadas oportunidades. Faço constantemente este apelo: empenhem-se com a Vossa Ordem Profissional.


Esta instituição não é nossa, é Vossa! Este Património é Vosso. Aproxima-se um novo acto eleitoral. Empenhem-se e envolvam-se. Façam por estar presentes, por participarem, por se envolverem nos assuntos, enquanto arquitectos e enquanto cidadãos. Os desafios que enfrentamos são tantos, e tão complexos, que quanto mais unidos estivermos, mais longe conseguiremos ir nos nossos propósitos. Peço-vos, assim, que se envolvam com a Ordem, que usem os serviços da Ordem, que contribuam para a Ordem, para a melhoria do seu funcionamento, para a sua inovação e modernização. No fundo, para o seu futuro. Temos que ser mais “corporativos”, no bom sentido do termo, porque arquitectos comprometidos com a sua Ordem Profissional, com o seu rumo, capazes de ajudarem a dignificar e a valorizar a Profissão, capazes de ajudarem a Ordem a abrir-se ao exterior, a rasgar horizontes, são arquitectos que contribuem para o bem-estar da sociedade como um todo.


Este mandato que agora termina, foi um mandato importante para a Ordem. Apesar de este ser um trabalho sempre inacabado e em constante dinâmica, o balanço que faço deste mandato aqui, na Secção Regional do Sul, é francamente positivo. Mais horas de formação ministrada aos Arquitectos; mais apoio jurídico prestado aos membros; mais serviços de concursos públicos assessorados. Neste particular, posso referir a assessoria prestada pela Secção no que respeita aos concursos públicos de Arquitectura: os valores de remuneração para as equipas de arquitectura foram o triplo, repito, o triplo, do que se verificou nos concursos públicos sem assessoria da nossa Secção.

O que significa que a Secção Regional do Sul tem sido capaz de valorizar a Arquitectura e a Profissão de forma inquestionável. Estamos a falar de valores que representam 23% de todos os concursos públicos de arquitectura lançados na zona de influência geográfica da nossa Secção, desde que tomámos posse até ao dia de hoje. É uma amostra suficientemente significativa para poder dizer, sem hesitação, de que fizemos a diferença. O nosso trabalho e o nosso esforço fez a diferença: mais concursos assessorados, com maior valorização nos valores médios de contratação. Este é um serviço que prestamos, do qual nos devemos orgulhar e que espero possa crescer e afirmar-se mais no próximo mandato, apesar da nova realidade orgânica.


Assessorar estes concursos e alcançar estes valores e resultados foi possível porque a Proximidade foi uma constante. Este mandato foi Presente, foi Próximo e foi Aberto. Foram esta Presença, Proximidade e Abertura que nos permitiram estreitar o diálogo com entidades públicas, designadamente, para trabalharmos na definição de uniformização de procedimentos que permitam um exercício menos burocrático e mais eficiente da nossa profissão [trabalho conjunto com a Secção Regional Norte]; mas também esta Presença, Proximidade e Abertura que nos permitiram assessorar mais concursos, ministrar mais formação, prestar mais serviços aos membros e trazer novas ideias para dentro de casa. A Secção deve continuar a abrir-se ao público e aos que, possuindo competências para serem Arquitectos, enveredaram por outras ocupações e profissões.

Devemos encontrar uma forma de acolher esses profissionais, de trabalhar com eles, porque todos os dias eles fazem a diferença porque têm uma formação em Arquitectura, apesar de não exercerem os actos próprios da profissão. Devemos olhar para estes últimos anos e perceber que o futuro está na abertura, na integração, na colaboração e num aproveitamento devido da nossa diversidade. É também a nossa diversidade que nos aporta riqueza!


O nosso Projecto Estratégico “Por uma Educação em Arquitectura”, é um bom exemplo deste espírito de abertura e de colaboração, com os olhos postos no futuro. Este nosso Projecto de Educação em Arquitectura já se encontra no Plano Nacional das Artes e prestes a arrancar em algumas escolas da nossa influência geográfica.


Caros membros, O nosso mandato está a acabar e, olhando para trás, vejo com satisfação o muito que foi feito. Nesta recta final do nosso mandato tenho orgulho em afirmar que temos uma Secção mais aberta a todos, mais visível no território, financeiramente estável e organizada. É um legado que deve ser preservado. Os membros querem ter uma Ordem bem gerida, financeiramente sustentável, prestadora de serviços de qualidade e sobretudo uma Ordem que regule a profissão, e que dê o seu incremento máximo ao Apoio à Prática Profissional. Mas olhando para a frente, vejo o muito que está ainda por fazer.


A Secção Regional do Sul, tal como a conhecemos, está prestes a deixar de existir. O novo Regulamento de Organização e Funcionamento das Estruturas Regionais e Locais recentemente aprovado decretou o fim desta Secção e a criação de Secções novas: Lisboa e Vale do Tejo, Alentejo, Algarve, Açores e Madeira. Cada Secção terá os seus órgãos próprios, multiplicando estruturas, dirigentes, recursos, processos, etc. É sabido que fui contra este Regulamento e que considero que a nossa Ordem e os nossos Arquitectos não beneficiam com esta nova realidade orgânica. Mas não vamos falar desta nova realidade, pois hoje é um dia de olhar para a frente com alento e com esperança na caminhada que os novos membros iniciam formalmente nas suas vidas profissionais. Esta cerimónia cumpre um simbolismo para todos Vós, e as palavras que vos dirijo são de esperança e de encorajamento para que tenham muito sucesso nesta profissão que escolheram, que tem tanto de exigente quanto tem de 6 recompensador. O país deveria olhar para nós com olhos de maior reconhecimento. Creio, contudo, que volvidos três anos do nosso mandato, temos cada vez mais reconhecimento.


A Arquitectura faz a diferença onde está presente, e aos Arquitectos deve ser reconhecido e atribuído um papel muito particular no que respeita aos nossos lugares de vivência comum. Le Corbusier dizia: “Vocês vão directamente a Deus; eu não. Em contrapartida, mandam-me construir um convento, o que quer dizer alojar uma centena de religiosos e proporcionar-lhes o silêncio. No seu silêncio, eles incluem o estudo: eu faço-lhes uma biblioteca e salas de aula. No seu silêncio eles incluem a oração: eu faço-lhes uma igreja, e esta igreja, para mim, tem um sentido.”


E é este o sentido da Arquitectura. Só nós conseguimos perceber, desenhar, e conceber o Silêncio...um espaço para o Silêncio. Não apenas nas grandes obras, que são importantes, mas noutros locais onde intervimos e onde o exercício da nossa profissão faz a diferença para a qualidade de vida das pessoas e para a sua saúde. Era esta mensagem que Vos queria deixar: a de que o vosso trabalho faz a diferença, porque da ideia ao projecto – e do projecto à obra – há algo que está sempre presente: as pessoas.

Não há arquitectura sem pessoas, não há arquitectura sem a fruição e a vivência dos espaços e dos locais. Hoje, termino como comecei há 3 anos atrás:


Quero ser Arquitecto.

Quero ser Arquitecto, mencionando todos os jovens que querem ser Arquitectos e Arquitectas.

E hoje, termino como terminei há 3 anos atrás: A Ordem serve Todos. Passemos, então, das palavras às Acções, promovendo a nossa Actividade com Dignidade ... porque este mote nunca, mas nunca poderá perder-se.

Agradeço aos meus ex alunos que sempre me mantiveram em estado de alerta. Foi por eles que me candidatei.


A todos os pais que acreditam nos sonhos dos seus filhos.

Uma palavra de grande apreço aos professores que também vos ajudaram a crescer.

À minha equipa e aos meus funcionários da Secção Regional Sul, um especial agradecimento. Eu sei que não tem sido fácil.»


Bem Vindos à nossa casa,

Votos de sucesso para todos

Muito obrigado


Paula Torgal

8 de Fevereiro de 2020