ENTREVISTA | Vencedores Bairro das Artes 2019

— 15.02.2019

OPINIÕES E PENSAMENTOS | Como entendem que o espaço público está e deve ser utilizado nas nossas cidades?


[Pergunta feita ás equipas distinguidas do Bairro das Artes 2019]


VENCEDORES | " Bairro de Sombras " por arquitectos Catarina Croft e Amilcar Nunes.


Arquitectura é a linguagem que estabelecemos com o meio onde nos encontramos como forma de conversão em escala da relação entre Homem e Território. O espaço público é o lugar dessa expressão na forma da cidade e torna-se necessário construirmos uma concepção de espaço comum que pensa sobre a condição de oferecer um lugar para a vida acontecer e ser.

A pergunta à qual procuramos responder não será tanto sobre como o espaço público está a ser utilizado nas nossas cidades, sendo esta uma expressão que acontece impreterivelmente, porém preocupa-nos o facto de como o espaço publico deve ser utilizado. E aqui, tomamos o exemplo de Lisboa, sobre o qual nos debatemos com as peças que propusemos.

Torna-se assim indispensável pensar não nos limites, mas nas extensões destes lugares. E compreendemos aqui que extensão significa a participação na compreensão e vivência do lugar.

O tema que propomos debater será então sobre a autenticidade do espaço público no sentido de criar lugares que marcam a essência dando moradia a essa essência (Heidegger,1951).


Portanto questionamos: como poderá o espaço público ser uma reunião integradora de apropriações curtas e prolongadas, conferindo-lhe, através de uma acção construtiva, essência e circunstância?


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VENCEDORES MENÇÕES HONROSAS :


2ª Menção Honrosa - “Espaço mínimo” por Arquitecto Tomás Reis.


Bastou a generalização do automóvel para que, os percursos do dia-a-dia pudessem ser feitos numa cápsula climatizada. Tal é o conforto, que a presença no espaço publico passou a ser uma opção. Tal é o confronto, que a cidade teve de chamar as pessoas à rua, à praça e ao jardim. E, na verdade, muitos passeios nunca foram tão largos como hoje. Basta criar espaços agradáveis, que as pessoas aparecem.

É preciso, como defende Jan Gehl, criar espaços para as pessoas. Poderá parecer demasiado vago, quando as sociedades contemporâneas parecem estar em constante mudança. As dinâmicas demográficas e migratórias tornam-se por vezes difíceis de prever.

Só os espaços flexíveis sobrevivem - veja-se o exemplo da Baixa Pombalina, que nunca deixou de ser o centro da cidade. Não só suporta inúmeras atividades, mas também tem o espaço necessário para se adaptar. Com espaços tão flexíveis, a Baixa terá sempre espaços de encontro e de troca, com ou sem automóveis, com ou sem turistas.

Um pouco por todo o mundo, sobram exemplos de espaço público permaneceu ao longo do tempo. Mesmo em espaços cujo edificado foi substituído várias vezes. Veja-se a praça Djemaa-el-fna, em Marraquexe, ou o bairro de Ginza, em Tóquio.

Fazer cidades para as pessoas pode parecer um propósito demasiado vago. Mas, se há espaços que permanecem quando as pessoas mudam, algo em comum terão as pessoas que interagem nesses espaços. É essa leitura que os arquitectos sempre terão pela frente.




3ª Menção Honrosa | “Ver com outros olhos” por arquitectos Cássio Carvalho e Carla Paoliello


"Espaços públicos são sinónimos de espaços de relações e de locais de troca. Nós, dois arquitectos imigrantes, sentimos que em Lisboa eles conseguem melhor reflectir toda a complexidade social e económica existente."









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