Nova direcção da OASRS já tomou posse

— 08.02.2017


"É urgente promovermos um debate sobre o Mundo Contemporâneo. Constroem-se muros: muros de comunicação, muros físicos, impactantes, que não nos deixam avançar. Mas nós, não os queremos! Saibamos ouvir tudo e todos. Saibamos reflectir sobre o que ouvimos. É a nossa responsabilidade, perante os membros e perante a sociedade", afirmou a arq. Paula Torgal, durante o discurso de tomada de posse que decorreu no dia 8 de Fevereiro no auditório da Sede Nacional da Ordem dos Arquitectos.

Na sua intervenção, a nova presidente da OASRS, lembrou que "a sociedade ainda não nos reconhece como uma mais valia. Não tenho a menor dúvida de que não temos conseguido passar a palavra. Sempre agimos individualmente. E os sucessos são individuais", referiu, deixando uma "palavra de apreço aos arquitectos que se encontram dispersos e solitários pelo país a realizarem trabalhos extraordinários junto das populações locais" bem como "os arquitectos que, por razões de sobrevivência necessitaram de emigrar. Contem connosco", acrescentou.

A cerimónia de tomada de posse dos novos órgãos directivos do Nacional e do Sul contou com a presença do Presidente da República, professor Marcelo Rebelo de Sousa, o novo presidente da Ordem dos Arquitectos, José Manuel Pedreirinho, o anterior presidente, João Santa-Rita e Alexandre Alves Costa, presidente da Mesa da Assembleia Geral.

"É decisivo que a classe dos arquitectos se abra mais à sociedade e isso é um compromisso político no sentido cívico do termo", disse Marcelo Rebelo de Sousa no seu discurso, sublinhando que tem acontecido que sectores da sociedade portuguesa se fecham em "querelas internas" e em atitudes de "casta" que considerou estéreis.

O Presidente da República, que recebeu na semana transacta em audiência a direcção cessante e os novos dirigentes, afirmou ter ouvido os "problemas" de ordem económica e legislativa que foram transmitidos, mostrando-se disponível para promover consensos.

"De tudo tomei boa nota e contam com o Presidente da República naquilo que está dentro das funções presidenciais como está certamente o aproximar de posições divergentes, promovendo o diálogo", referiu o Presidente da República.

Marcelo Rebelo de Sousa sublinhou que "cabe aos novos corpos dirigentes corresponder à boa imagem que a sociedade tem dos arquitectos", não deixando de atender aos problemas que "legitimamente" preocupam os filiados da Ordem.

O Presidente da República referiu-se aos problemas que decorrem das condições económicas que afectam a procura de trabalhos em arquitectura, "bem como a questão da concorrência de esferas entre os arquitectos e outras classes profissionais", sem especificar.

Alexandre Alves Costa alertou para o facto de, além dos prémios internacionais atribuídos a arquitectos portugueses é preciso notar a "desordem" do território nacional "cujo paradigma é o Vale do Ave" e criticou a competição "selvagem" provocada pela crise económica e pelo "liberalismo desregulado" que afecta a classe.

Ouça aqui o discurso do Presidente da República



O discurso da arq. Paula Torgal

O discurso do arq. João Santa-RitaO discurso do arq. Alexandre Alves Costa
O discurso do arq. José Manuel Pedreirinho