Com Intervenção da OA

Concurso Público de Ideias para Requalificação do Castelo de Arraiolos

 

1º Ana Fernandes + Inês Bartolomeu + Nuno Pedrosa

“O chão definiu-se como ponto de partida do projecto, entendido como um fundamento da arquitectura. A primeira apropriação do território estabeleceu-se na manipulação do chão.

(…) Da leitura da morfologia do espaço amuralhado retiramos duas abordagens:

- a da elevação interior, que prolonga a colina desde o exterior, e se estabelece como um espaço de sacralidade; uma geometria que reitera a génese do lugar e que, simultaneamente, anuncia a igreja como desfecho desta composição espacial;

- a da zona do caminho circundante, com cotas mais regularizadas, como área de apropriação facilitada e mais intervencionada ao longo do tempo;

(…) Parte-se de uma série de anéis que interagem entre eles e com o anel exterior (da muralha), “lavrando” este território num movimento contínuo que, iniciado no rombo, culmina no paço. Pelo meio desenha-se o programa, em espaços que vão surgindo nas oscilações das diferentes trajectórias. A cafetaria, os espaços de apoio à entrada, o recinto das ovelhas, o palco e seus apoios, não se identificam como edifícios autónomos, nascem do chão e a ele pertencem; são espaços “roubados” entre flutuações de plataformas. A materialidade desta proposta não se afasta da terra enquanto matéria, pelo contrário, é com a terra que ela se constrói enquanto inerte que se conjuga com o betão.”

 

2º MRPR, Arquitectos S.L.

“...Uma paisagem não tem um sentido obrigado, um ponto de vista privilegiado, orienta-se somente pela rota dos caminhantes. Mas não são os grandes acontecimentos que formam a trama da paisagem no tempo, mas sim a massa dos acidentes, os pequenos feitos inadvertidos e voluntariamente omitidos...

(…) A proposta visa criar novos percursos que comuniquem o centro da vila com o Castelo e os Moinhos, e revitalizar os acessos existente. Percursos esses que são definidos pela localizaçao de um conjunto de peças, de uma forma dispersa entre estas duas referências, unindo-os deste modo com o centro da vila.

Elementos que se adaptam ao território, ao largo dos percurso que unem o centro da Vila com o Castelo  e os Moinhos. Pretende-se enrriquecer estas zonas oferecendo, a residentes e visitantes, espaços de lazer, de descanso, onde podem disfrutar da imensa paisagem que as encostas de Arraiolos nos proporcionam.”

 

3º Cláudio Vilarinho + Pacific Plan

Percursos habitados

Apropriamo-nos de um símbolo de Arraiolos, isto é, do Tapete de Arraiolos (concretamente a sua tela). A partir daqui, abstractamente, originamos uma rede de caminhos qualificados, os quais designamos, Percursos Habitados. O conceito de malha, materializa-se através de um sistema de percursos longitudinais e transversais, os quais estabelecem ligação entre os dois espaços principais da nossa proposta, são eles, o Castelo e o Outeiro dos Moinhos.

Integrando outros pontos de referência existentes na vila (…)os nossos percursos, funcionando como uma rede que cose tudo. 

Bipolarização (Castelo/CIT - Centro Interpretativo do Tapete)

(…) Na visita ao local, imediatamente se percebe o valor paisagístico que este ponto – Colina de S.Pedro- no território aufere.  

Por sua vez, ficámos com a sensação que, por muito bem que se pudessem reabilitar aqueles três moinhos, estes continuariam desertos. Aquele local precisaria de mais. Porquê não implantar neste local valioso, um centro super activo (…) onde se vive o tapete.

E se em vez de implantarem o Centro Interpretativo de Arraiolos (edifício) no centro, o implantassem junto aos moinhos? Mais, propomos que se entenda o Centro Interpretativo de Arraiolos, não apenas como um edifício, mas como um conjunto de elementos (edifícios e intenções) (…).

Repetição do sistema formal dos moinhos (o cilindro)

(…)Referenciando todo o programa à forma dos moinhos, isto é adoptando o cilindro, optamos por dividir todo o programa edificatório do recinto muralhado em pequenos volumes. 

(…)

Sistema de cerramento do recinto muralhado e caminho de ronda

(…) Passo a passo, analisando os obstáculos a vencer, através de uma série de pequenas cirurgias, propomos um percurso de ronda contínuo à volta da muralha. Propomos, fazer cirurgias a laser, operando mas não tocando no corpo; isto é, tentamos que os elementos existam, mas tenham o menor contacto possível com a muralha (apenas os elementos estruturais - pilares metálicos tocam na pedra).

Propomos uma materialidade difusa e semitransparente: chapa micro-perfurada branca.”

 

4º Nuno Brandão Costa

Arquitectura e Ambiente

(…)A ideia principal deste projecto centra-se pois no avistar, ver os muros, ver o Castelo, ver a Igreja, ver a paisagem. Enquadrar de modo claro todos os elementos existentes, de forma a torná-los nos protagonistas óbvios da vivência destes espaços.O projecto constrói um elemento homogéneo que percorre a muralha e o castelo unificando-o, enfatizando a sua construção e geometria original e devolvendo a sua presença à paisagem natural.

Programa e Composição

(…) Um único elemento estrutural construído em madeira completamente autónomo e desligado das construções existentes vai percorrendo as estruturas encontradas de modo a constituir:

1.O caminho de ronda, suspenso sobre o original em pedra, garantindo a leitura da geometria, sem lhe tocar e mantendo a cota de origem do percurso de guarda sobre a paisagem.

2.Sob a estrutura da Ronda, pontuando o percurso principal, a recolha de ovelhas, o redil e umespaço de exposição “Da Ovelha ao Tapete”

3.O grande espaço polivalente, amplo, organizável e variável, avistando de modo enfatizado a paisagem circundante e as estruturas em pedra do Castelo.

4. Em baixo, sob a grande plataforma, aproveitando a sua estrutura de suporte, conforma-se um espaço mais protegido, para os equipamento necessários e o bar pretendido, recolhido entre os muros do Castelo, suspenso sobre as cotas naturais, avistando por entre as portas e os desníveis, a Vila, a Sul.

5. Os portões necessários para fecho do recinto são construídos na linguagem do resto das estruturas de madeira, colocados em todas as portas existentes do Castelo e Muralha.

6. Para complementar toda a composição da proposta, um caminho em calçada enfatiza a ligação urbana ao Castelo, prolongando-a até à Igreja, pontuada em momentos importantes do percurso e da hierarquia da proposta, a Praça de chegada, o percurso ao redil de Ovelhas, a entrada no interior do Castelo, o adro da Igreja. (…) “

 

5º Paula Santos

“O objectivo do Concurso e a sua designação aponta claramente para a necessidade de dar uso público a este ex-libris, transformando o Monumento pétreo e isolado, ele próprio, num espaço de equipamento lúdico que as pessoas podem visitar de dia e de noite, sempre que haja programação para tal.

Ao mesmo tempo é clara a ambição do Concurso de aproveitar esta oportunidade para valorizar o tecido urbano existente, densificado (…).

Esta ambição é sugerida nos requisitos do programa de intervenção, que associa a recuperação e requalificação do Castelo às interligações possíveis entre este e o resto do aglomerado e nomeia uma primeira e importante intenção, que é a ligação à colina de S.Pedro, onde se encontra o conjunto dos Moinhos de Vento existentes.

Encontramos no entanto, para além desta, outras possibilidades de inter-relação nomeadamente na animação dos percursos de ligação e travessia do aglomerado urbano, usando outro sinal de identidade que são os Tapetes de Arraiolos que de igual modo caracterizam a comunidade.

O tema da necessidade de reabilitação de um Monumento a par de uma reinterpretação do aglomerado envolvente, é um tema recorrente em várias cidades e vilas com características e escalas semelhantes à de Arraiolos.

A proposta compreende a relação directa entre tradição e mobilidade, interpretando a tradição a partir dos elementos locais de referência: os paisagísticos, os patrimoniais e os de tradição cultural, a gastronomia e a hotelaria qualificada.

Deambulando pela estrutura urbana guiados por sinalização adequada, com intervenções de carácter pictórico (cor) ou gráfico, (informação e lettering) os visitantes e a população local, podem percorrer a Vila a partir da Praça ou dos locais de aparcamento, entre os vários pontos de interesse, passando pelas ruas comerciais, alternando a subida ao Castelo e o seu usufruto, com todas as novas possibilidades de interesse agora criadas, e usar o Parque Verde como grande Parque público de carácter lúdico e ambiental. (…) “

 

Menção Honrosa - Plano B + Joana Pinheiro

“ (…)Da proposta Urbana

(…) Assim, na colina de São Pedro propõe-se um espaço de criação das ovelhas e tosquia, naquilo que se poderia designar como a pré-produção, no centro da vila são demonstradas as etapas da produção do tapete (tosquiar, lavar/secar, carpear, cardar, fiar, tingir, dobar, bordar, etc.) e no castelo são concentradas as actividades de pós-produção.

Da proposta intra-muros

O elemento visual mais característico do castelo de Arraiolos resulta da forma como a muralha elíptica interrompe, mas não destrói nem oculta, a colina onde se coloca. Da intuição de que um espaço densificado dentro de muralhas é adequado, mas que não deveria anular a percepção de continuidade da colina, surge a formalização da nossa proposta. Assim, a superfície da colina pareceu-nos o elemento que deveria gerar a proposta de densificação. A superfície foi manipulada, elevando-a pontualmente junto às muralhas para permitir uma utilização semi-enterrada e elevando-a muito em forma de torre, para uma utilização densificada acima do solo.

As formas em torre resultantes, pareceram-nos consentâneas com as várias intervenções em altura que o castelo integra: a torre de menagem, a torre do relógio, a própria igreja. Se existe um local onde a excepção é justificável (embora não necessariamente desejável) é onde a excepção foi politicamente decretada.

A forma ondulante da superfície deveria ser executada através de tijolos cozidos, utilizando as técnicas de abóbadas, frequentes no Alentejo e trazidas pelos árabes. Revestindo a estrutura em tijolo, propomos a utilização de alcatrão. Não só permitiria executar uma superfície “sem juntas” que materializaria da melhor forma a proposta, como remeteria simbolicamente (e é de símbolos que os castelos nos gritam) para os conflitos e angústias do nosso tempo.”

 

© OASRS 2/20/2009

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