Regresso ao Brasil
Em 1966 mudou-se para Paris, ainda a capital do Velho Mundo, e viria a ter ateliê nos Campos Elísios a partir dos anos 70. A sua obra começa a espalhar-se por outras geografias: além da sede do Partido Comunista em Paris (1965), projecta a Editora Mondadori (1968), em Milão, encomendada pelo editor Giorgio Mondadori que tinha apreciado muito o Palácio do Itamaraty em Brasília.

Em França, conviveu com André Malraux, Jean-Paul Sartre e tantos outros, emocionando-se com a intensidade humana que via nos cafés e nas ruas, o movimento das praças, algo que identificava com uma «displicência diante da vida» e uma informalidade que lhe é querida.
Quando baixa a Argel, onde gosta de se demorar, projecta a mesquita local, desenha a universidade e o centro cívico. E a Universidade de Constantine (1969), «um dos meus melhores trabalhos (…) que eu queria mostrasse o progresso da engenharia do nosso país».
As saudades do Brasil apertavam, mas o regresso demorou, só realizado a partir dos anos 80 do século XX. A ditadura esteve em acção 21 anos.
Mas, como um reflexo condicionado, defendeu o país quando estava no exterior (por exemplo em França) ouvindo críticas às grandes obras e imensas despesas do Brasil e soterrando as críticas nos milénios de história da Europa: «Como deve ser difícil para vocês realizarem coisa nova, a circularem a vida inteira entre monumentos. Como é fácil para nós, brasileiros, invadir o mundo da imaginação e da fantasia! Nosso passado é modesto e tudo nos permite realizar».
E, mais ainda, como é que podia comparar-se um país, mesmo grande na Europa, com o continente [Brasil] de onde ele provinha? Seria como comparar um abraço de circunstância à amizade de uma vida.
No regresso, faz o Memorial a Kubitschek, conferindo realidade a um velho sonho, o de fazer escultura. Provocador, pôs o político seu amigo a sorrir no pedestal, olhando superior para a ditadura cá em baixo. As suas obras foram sempre acompanhadas de polémica, não podendo deixar as pessoas indiferentes. Sem esquecer a América Latina, viria a realizar a enorme escultura de uma mão a sangrar para o respectivo memorial em São Paulo. O memorial foi enriquecido com pinturas, esculturas, baixos-relevos, azulejos e um vitral.

A questão das obras de arte integradas na arquitectura é de tal modo importante que o levou a escrever: «Sou, sem falsa modéstia, o arquitecto que maior número de obras de arte incluiu na arquitectura. Uma prática antiga, antiquíssima».
Além da sede da Manchete, dos Centros Integrados de Educação Pública e da criação da Fundação Oscar Niemeyer, projecta, já nos anos 90, o afamado Museu de Arte Contemporânea de Niterói, em que expõe as suas convicções sobre o espaço e a paisagem. «O espaço arquitetural faz parte da arquitetura e da própria natureza, que também a envolve e limita. Entre duas montanhas ele se apresenta e nas suas formas se integra como um elemento de composição paisagística».
Citando Rainer Maria Rilke, que dizia que «a planície tudo engrandece», Niemeyer dá como exemplo as suas amadas pirâmides do planalto de Guiza, no Egipto, para se justificar: «As pirâmides do Egito não seriam tão belas e monumentais sem os espaços horizontais sem fim que as realçam e até as modificam, coonforme a luz de cada dia».
Aos 100 anos, tem uma mão cheia de obras a serem feitas ou a inaugurar: o Centro Cultural Oscar Niemeyer será brevemente inaugurado em Avilez, Espanha; um auditório em Ravello, Itália, o Parque Aquática de Potsdam, na Alemanha e a Embaixada do Brasil em Cuba estão em construção. E há ainda, a inaugurar, a Fundação Oscar Niemeyer em Niterói, para além de outros trabalhos a serem terminados. 
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